Nova linguagem de internet promete ser o futuro da navegação

Quando apresentou o tablet iPad no final de janeiro, Steve Jobs mostrou mais um aparelho (além do iPhone e iPod Touch) sem o suporte ao plug-in Flash, da Adobe. Poucas semanas depois, o co-fundador da Apple se justificou, dizendo que a tecnologia estava “ultrapassada” e seria substituída pelo HTML5.

Mesmo a concorrência parece seguir a tendência. O novo sistema operacional para smartphones da Microsoft, o Windows Phone 7 Series, também não oferecerá suporte ao Flash.

De fato, a quinta versão da linguagem de desenvolvimento HyperText Markup Language (HTML), introduzida pelo W3C (World Wide Web Consortium, organização fundada por Tim Berners-Lee em 1994 para desenvolver padrões para a internet) deverá ser implementada em 2012 em definitivo. A novidade pretende tornar a experiência na rede mais rica e simples, sem a necessidade de softwares e plug-ins adicionais ao navegador.

Várias empresas apostam no formato, como o Google, a fundação Mozilla (responsável pelo browser Firefox) e a própria Apple. O incentivo é justificável – o HTML 4.0.1, linguagem utilizada atualmente na internet, já tem mais de dez anos. As grandes transformações pelas quais a web passou já não dão conta do formato, que traduzia páginas que, em 1999, consistiam apenas de imagens estáticas e texto.

Menos memória para vídeos
: “O HTML5 traz em sua arquitetura a possibilidade de interação com API´s [aplicativo de interface de programas, na sigla em inglês] para embutir vídeos, armazenar dados de forma off-line e tornar documentos editáveis”, explica André Jaccon, arquiteto de software da empresa de programação Blue Systems. Isso significa que não será necessário um programa adicional – no caso, o plug-in Flash – para utilizar o YouTube, por exemplo, com menos consumo de memória no computador.

“Com a linguagem, surgem novas ‘tags’ específicas para conteúdos relevantes como vídeo, cabeçalhos, menus, contatos, endereços e sessões”, afirma Idmar Ramos Junior, desenvolvedor de web do Centro de Convergência Digital na Fundação Certi, citando campos nos códigos que permitem a adição de multimídia. “Isso maximiza a eficácia de qual e como a informação chega para o usuário”, completa.

O portal de vídeos do Google já oferece uma página de testes com o HTML5, podendo ser utilizada com os navegadores Chrome, Safari e Internet Explorer (apenas com o aplicativo emulador do Chrome instalado). Segundo Ricardo Branco, gerente de comunicação do YouTube na América Latina, a empresa está empolgada com a linguagem como um padrão aberto. “Queremos fazer parte da propagação do seu uso na web”, afirma.

O recurso ainda está na fase beta e possui “algumas limitações”. “O HTML5 no YouTube não tem suporte a vídeos com anúncios, legendas ou anotações e requer um navegador com suporte tanto para a ‘tag’ quanto para vídeos codificados em h.264”, diz Branco. “Futuramente expandiremos as capacidades do player, portanto prepare-se para versões novas e aprimoradas que serão lançadas nos próximos meses”, avisa.

Guerra da Apple: Um dos principais colaboradores da nova linguagem foi David Hyatt, da Apple. Isso poderia explicar muito das rusgas que as duas empresas têm com a Adobe, mas há interesses mais por trás desse boicote.

“A Apple vem dificultando a integração de aplicações com Flash em dispositivos como iPhone, iPod e iPad, alegando que os players diminuiriam a autonomia de bateria”, diz Jaccon. “Eles  não querem depender da Adobe para interagir com os usuários”, completa.

Para Ramos, o motivo não é uma rixa entre as empresas, mas sim um investimento em uma tecnologia mais eficaz e não-proprietária. “A Apple com certeza vê nas novas implementações do HTML5 uma forma de evoluir seus produtos e serviços através de uma linguagem aberta, mantida pela comunidade e não por uma empresa privada”, explica.

Segurança: Se por um lado as constantes atualizações do Flash são utilizadas como oportunidade para hackers promoverem golpes disfarçando programas maliciosos como o plug-in da Adobe, o HTML5 também preocupa. “A chance de existir alguma brecha nunca é descartada”, diz Idmar. “Como a linguagem vem com um número bem grande de aperfeiçoamentos e novidades, essas falhas podem ficar mais evidentes”, completa.

“A equipe de desenvolvimento do W3C trabalha duro para minimizar esse tipo de problema, porém, conforme o HTML5 ganhar popularidade, pode vir a acontecer que alguns crackers encontrem falhas que serão usadas para fins malignos. O mesmo acontece com qualquer software ou linguagem disponível no mercado”, avisa.

Band

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Sobre o Autor

Robson V. Leite

23 Anos, Residente da cidade de Florianopolis SC. Trabalha com web desde 2006, sempre busca aprender novas tecnologias.

http://www.upinside.com.br/ contato@upinside.com.br

Dados do Artigo

27 fev 2010 as 12:02

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